Éluard, Prévert, Kaponz & Spinoza

aí você olha esse título e pensa “quem será Kaponz?” não, não é nada do que se está pensando. ou quase.

uma das coisas mais legais de seguir, pelo google reader, toda e qualquer atualização na web com a palavra “Spinoza” me levou a esbarrar numa duplinha francesa de rock, Kaponz & Spinoza. risos. de cara me deparei com um show dos bonitinhos no La Gigale ❤ passei um mês vivendo no prédio ao lado, sobre o Cafe la Gigale, onde moravam somente os funcionários das duas casas, os de longa data, como se fossem patrimônio daquele pedacinho de Pigalle, um que escapa pelas frestas das madrugadas ainda que tão transformado pelos anos. descia todos os dias a Rue de Martyrs em meio a muitos carrinhos de bebê empurrados por pais lindos & jovens _dizem que esse é o retrato de la nouvelle bourgeoisie parisienne_ para tomar o café “de sempre” e começar o dia daquele sempre de mentira. Voilá! voltando ao rock, bb, fui procurar saber mais sobre o tal roqueiro Spinoza, crente que ia encontrar um Pescado Rabioso francês, setentinha e tudo, a julgar pelo visual dos garotos, até, mas não.

não importa.

porque algum dor-de-cotovelista fez uma coisa muito bonitinha: um vídeo com uma música dos meninos, a única em inglês, com a maior pinta de vento-de-verão, e ilustrou com um poema do Paul Éluard que eu adoro:

SEQUÊNCIA [1]

Para o esplendor do dia felicidades no ar
Para viver tranquilamente gostos cores
Para se regalar amores para rir
Para abrir os olhos no derradeiro instante

Ela tem todas as complacências.

tradução de Eclair Antonio Almeida Filho, catei na Zunái – não sei se gosto da tradução, mas não me arrisco a fazer melhor

andei lendo muito Éluard. e Prévert. troquei um pelo outro e “qual não foi minha surpresa quando” me deparei com isto:

Lamento de Vincent
a Paul Éluard

Em Arles onde corre o Ródano
Na atroz luz do meio-dia
Um homem de fósforo e sangue
Solta um grito obsessivo
Como uma mulher que pare o filho
E o lençol fica todo vermelho
E o homem sai de casa gritando
Perseguido pelo sol
Pelo sol amarelo estridente
No bordel próximo ao Ródano
O homem chega como se rei mago
Trazendo um absurdo presente
Tem o olhar azul e calmo
O verdadeiro olhar lúcido e louco
Dos que dão tudo à vida
Tudo e não têm ciúmes
E ele mostra à pobre mocinha
Sua orelha deitada no pano
E ela chora sem nada compreender
Sonhando com tristes presságios
E olha para ela sem ousar pegar
A terrível e terna concha
Em que os gritos do amor morto
E as vozes inumanas da arte
Se misturam com os murmúrios do mar
E vão morrer no assoalho
No quarto em que o edredom vermelho
De um vermelho súbito chocante
Mistura esse vermelho tão vermelho
Ao sangue ainda mais vermelho
De Vincent já meio-morto
E qual imagem piedosa
Da miséria e do amor
A mocinha nua sozinha sem idade
Olha o pobre Vincent
Fulminado pela sua própria tempestade
Que cai pelo chão
Em cima do mais belo quadro seu
E a tempestade se vai acalmada indiferente
Rolando diante dele os grandes barris de sangue
A fulgurante tempestade do gênio de Vincent
E Vincent fica ali dormindo sonhando rugindo
E o sol em cima do bordel
Como uma laranja louca num deserto sem nome
O sol sobre Arles
Rugindo gira em torno de si.

Jacques Prévert; tradução: Silviano Santiago

maravilhas do acaso ou mera coincidência.

não importa.

eu só precisava registrar pra não esquecer… ah!

compre a sua aqui rs

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