Intruso de quem?

“Desde a época de Descartes, pelo menos, a humanidade moderna fez do voto de sobrevivência e de imortalidade um elemento dentro de um programa geral de ‘domínio e posse da natureza’. Ela programou, assim, uma estrangeiridade crescente da ‘natureza’. Ela reavivou a estrangeiridade absoluta do duplo enigma da mortalidade e da imortalidade. O que as religiões representavam, ela a elevou à potência de uma técnica que recusa o fim em todos os sentidos da expressão: prolongando o término, ela expõe uma ausência de fim: qual vida prolongar, com que objetivo? Diferir a morte é também exibi-la, sublinhá-la.

É preciso, somente, dizer que a humanidade nunca esteve preparada de alguma maneira para essa questão, e que seu despreparo para a morte é apenas a própria morte: seu golpe e sua injustiça.

(…)

O intruso não é um outro senão eu mesmo e o homem ele mesmo. Não é um outro que o mesmo que nunca termina de alterar-se, ao mesmo tempo aguçado e esgotado, desnudado e superequipado, intruso no mundo assim como em si mesmo, inquietante ímpeto do estranho, conatus de uma infinidade excrescente.”

Jean-Luc Nancy em L’intrus.

Este texto foi publicado pela primeira vez como resposta ao convite feito por Abdelwahab Meddeb para participar, em sua revista Dédale, da edição “A vinda do estrangeiro” (nº 9-10, Paris, Maisonneuve et Larose, 1999).

Quem traduziu e me mandou foi o Aluisio. Fiz um simpático upload no Scribd, claro!

Só clicar aqui. Enjoy 😉

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