meu reino por um pesadelo novo

escorria para o fundo do rio
até não mais sentir as veias;

era lançada para fora do carro
em alta velocidade
até perder as veias para o asfalto;

esperava, pacientemente, de quatro,
os chutes de meu avô
[pai de meu pai]
nas costelas
até o camuflar do corpo
na calçada;

no escuro do quarto
tudo tem
contornos de abismo

mas por um instante lembrar
a conta-gotas
e com os olhos desbotados
os fragmentos do dia,
e ir compondo o mosaico dos tempos
no descolar das pálpebras,
e ir lembrando que nada
é mais dilacerante
do que a própria vida
ou do que a vida
sob a luz coada pelas copas
do jardim.

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