todo o céu concentrado no reflexo de um balde d’água

e nele eu mergulho o pano de espremer sobre seus cabelos
e aparo com tesoura cega os centímetros mortos de dias tão felizes

à direita um bezerro morre
à esquerda o Jatobá rebrota

tudo sobra sobre o chão gramado
que devolve banha como sabão & espuma

para a água tudo volta:
a mão, o pano, a lâmina [tão íntima da virilha e
que agora cumpre seu ofício sobre o rosto
marcado pelo infinito azul-pesado do céu]

atrás está tudo
à frente o medo laranja no horizonte
e esplende em nossa silueta atlântica
de nuca fresca e pele lisa e seca
como o avesso de um balde

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